O canal Jacksonology: The Interview Archives, no YouTube, está compartilhando uma série de entrevistas realizadas com Prince, Paris e Bigi Jackson como parte de um documentário sobre o pai. Nas entrevistas, eles compartilham memórias de Michael Jackson com a entrevistadora e produtora Sonia Lowe. O material nunca havia sido divulgado ao público antes, exceto por uma breve promoção no Good Morning America, em 2013, para promover o documentário.
Primeiras lembranças, Neverland, viagens e música toque para abrir
Paris: Eu diria que minha primeira lembrança seria do meu terceiro aniversário. Eu lembro que tinha um bolo da Barbie, rosa. Eu só lembro que ele estava sentado na cabeceira da mesa e eu estava à esquerda dele. Acho que essa é a primeira festa de aniversário que eu consigo lembrar.
Pergunta: Como foi?
Paris: Foi barulhento. Muito barulhento. Eu não lembro de muita coisa, só de um pedaço.
Pergunta: Isso não foi em Neverland, né?
Paris: Foi sim.
Pergunta: Como era morar em Neverland?
Paris: Morar em Neverland era incrível. Era muito divertido. E ele meio que… “negociava” com a gente. Ele dizia que, se a gente se comportasse, a gente podia ir ao zoológico, ao parque de diversões ou à estação de trem. E como a gente se comportava, ele deixava a gente ir de vez em quando.
A gente não conhecia muitas crianças da nossa idade. A gente era bem mais isolado. Quase não saía do rancho, então não dava nem pra comparar nossa vida com a de outras crianças. A gente só achava que aquilo era normal. Tipo: “ah, todo mundo tem um parque de diversões no quintal”.
Pergunta: E depois ele levava vocês para viajar. Como era isso?
Paris: A gente viajou bastante. Quando éramos mais novos, mais ainda. Conforme a gente foi crescendo, isso diminuiu um pouco. Viajar era incrível, era muito divertido.
Meus lugares favoritos provavelmente foram Paris, que a gente visitou por alguns dias e foi incrível, e também Japão e Bahrein.
Pergunta: Quando vocês viajavam com seu pai, ele explicava por que estavam indo para esses lugares?
Paris: Não, ele nunca explicava muito. Ele só falava tipo: “arruma as malas hoje à noite porque amanhã a gente vai viajar”. E eu: “ok, legal”.
Pergunta: Você sabia que seu pai era famoso quando era pequena?
Paris: Não muito. Eu só sabia que ele tinha algumas músicas. A gente não ouvia muito a música dele. A gente escutava só um álbum e ficava repetindo sem parar.
Eu e meu irmão fazíamos cabaninhas de travesseiro, colocávamos a música dele no volume máximo no hotel e ficávamos pulando pelo quarto inteiro. Era muito divertido.
Pergunta: Qual álbum?
Paris: Acho que era Off the Wall. Acho que a gente ficava ouvindo esse álbum direto.
Pergunta: Você tem uma música ou álbum favorito dele hoje?
Paris: Não tenho uma música favorita específica. Eu gosto de várias. Eu amo “The Lost Children”, “Don’t Walk Away” e a que ele fez com o Carlos Santana, “Whatever Happens”.
Descobrindo a fama, legado e o lado ruim da indústria toque para abrir
Pergunta: Me conta quando você descobriu que seu pai era famoso.
Paris: Acho que foi quando eu tinha uns 10 ou 11 anos. A gente ia aos shows dele quando eu tinha uns 6 ou 7. Eu lembro que eram incríveis, mas eu não tinha noção de quantas milhares de pessoas estavam lá.
Eu só via ele se apresentando e pensava: “meu Deus, ele é incrível”. Mas eu era só uma grande fã dele também.
Às vezes a gente passava pelas multidões, e eu e o Prince acabávamos sendo pisados. O Blanket era carregado porque era muito pequeno, mas a gente era espremido no meio da multidão. Uma vez eu perdi a mão do meu pai e fiquei em pânico. Eu só lembro dele me pegando de volta e correndo. Eu pensei: “ainda bem”.
Pergunta: Ele chegou a te explicar por que sempre tinha tanta confusão ao redor de vocês?
Paris: Nunca teve uma explicação muito clara. Quer dizer, a gente também não perguntava muito.
Pergunta: Você achava que todos os pais eram famosos?
Paris: Sim.
Pergunta: Agora que você sabe, o que você pensa de toda essa situação? E dele como artista?
Paris: Eu tenho muito orgulho dele e orgulho de ser filha dele. E eu tenho que dizer — muita gente vai discordar de mim — mas eu definitivamente sou a maior fã dele.
Pergunta: Acho que ninguém vai discordar disso. O que você tem a dizer sobre o legado musical dele, sobre o que ele deixou pro mundo?
Paris: Ele contribuiu muito pro mundo. Ele mudou vidas, salvou vidas. Ele era simplesmente incrível. Eu realmente espero que o legado dele continue pra sempre — e eu sei que vai. A música, o trabalho social, tudo.
Pergunta: Vocês faziam muito trabalho de caridade com ele?
Paris: A gente não podia sair muito. A gente ficava em vários lugares, mas às vezes saía. Eu lembro de ter ido com ele a um hospital uma vez… ou duas. Eu não lembro exatamente. Ele sempre me incentivava a ser o melhor que eu pudesse ser. Me ajudou muito com atuação e dizia que queria que eu começasse a atuar o mais cedo possível.
Pergunta: Que tipo de coisas vocês faziam juntos?
Paris: A gente fazia exercícios de improvisação juntos.
Pergunta: Ele te falava também sobre o lado ruim da indústria?
Paris: Falava, sim. Ele dizia que existiam muitas pessoas ruins por aí e falava um pouco sobre conspirações e coisas assim.
Pergunta: O que exatamente ele dizia, se quiser compartilhar?
Paris: Não muita coisa… mas conforme a gente foi crescendo, a gente foi entendendo mais por conta própria. Mas ele dizia que muita gente tinha inveja dele e faria qualquer coisa pra derrubá-lo — inventar rumores, processar com mentiras. Ele dizia que, no fim, muita gente só quer algo das outras pessoas.
Pergunta: Você acha que o mundo entendeu seu pai?
Paris: Não muita gente entendeu. A maioria não realmente o entendia.
Quem Michael era, lembranças e ensinamentos toque para abrir
Pergunta: O que você acha que as pessoas deixam de entender sobre quem ele realmente era?
Paris: Que ele era muito normal. Ele era uma pessoa muito bondosa. Sempre muito generoso. Ele é como uma pomba… a pomba é um dos meus animais favoritos, e ele é assim… inocente, puro e um amor.
Pergunta: Qual a sua lembrança favorita do seu pai?
Paris: Uma lembrança favorita… é difícil. Tem muitas. Teve várias no Bahrein, quando a gente ficava no terraço só conversando, ou na Irlanda, quando eu saía pra caminhar na floresta com ele. Era muito legal.
Pergunta: Quando você acha que ele foi mais feliz?
Paris: Eu acho que ele era mais feliz quando podia se disfarçar e ser normal. A gente foi algumas vezes à Disney e ele se disfarçava. Ele conseguia só ser uma pessoa comum, sem ninguém incomodar ou ficar pedindo coisas pra ele.
Pergunta: Então você acha que no fim ele só queria não ser o Michael Jackson?
Paris: Sim.
Pergunta: A primeira vez que o mundo te viu foi no discurso do memorial dele. Por que você sentiu que precisava falar naquele momento?
Paris: Eu não sei. Só senti que era o certo. Eu não conseguia falar direito no memorial… quando eu choro minha voz fica muito fina e eu não consigo falar. Mas eu não sei exatamente por que eu fiz aquilo.
Pergunta: Você sente que precisa defendê-lo?
Paris: Com certeza. Eu sempre vou defendê-lo.
Pergunta: Que tipo de pai ele era?
Paris: Eu não consigo nem imaginar como seria ter um pai diferente dele. Ele era incrível.
Pergunta: O que fazia ele ser tão incrível?
Paris: Ele era gentil… o cara mais doce do mundo.
Pergunta: Qual foi a coisa mais importante que ele te ensinou?
Paris: Ele dizia “sempre seja humilde”, “não se ache demais”, “não seja convencido”, “sempre seja humilde” e "valorize o que você tem".
Pergunta: Você provavelmente já viu várias performances dele online, tipo o primeiro moonwalk…
Paris: Sim, aquilo foi incrível.
Pergunta: Quando você vê seu pai dançando assim, o que você pensa?
Paris: Eu fico tipo: “uau, eu queria conseguir fazer isso”. Ele prometeu que ia me ensinar o moonwalk… mas nunca chegou a fazer isso.
Pergunta: Vocês já dançaram juntos?
Paris: Às vezes. Ele me ensinou um pouco de pop e lock.
Pergunta: E cantar juntos?
Paris: Sim. Ele me ensinou muito sobre notas. Ele me ensinou a ir bem alto e depois bem baixo. Por isso eu consigo cantar soprano e outras coisas assim.
Seguindo os passos do pai, fama e a relação entre os dois toque para abrir
Pergunta: Você sabe que seu pai se apresentava desde os cinco anos de idade, certo? E agora você quer seguir os passos dele?
Paris: Sim.
Pergunta: Mas seu pai também disse publicamente que sentia que tinha perdido a infância. Como você se sente sobre possivelmente seguir o mesmo caminho?
Paris: Bom… a verdade é que a gente meio que não tem escolha. A gente nasceu nisso. Então, de qualquer forma, não acho que isso vai ser muito diferente.
Pergunta: Você aprendeu alguma lição sobre a fama do seu pai agora que você também pensa em seguir esse caminho?
Paris: Sim… tipo, ter cuidado e garantir que sua imagem pública esteja sempre impecável, porque as pessoas vão tentar de tudo contra você.
Pergunta: Seu pai era muito famoso, mas ninguém realmente sabia como ele era por trás disso…
Paris: Ele era muito amado no mundo todo. Também era muito odiado, mas a única razão disso é porque as pessoas tinham inveja dele.
Pergunta: “Odiado” é uma palavra forte…
Paris: Existem muitas pessoas ruins por aí.
Pergunta: Foi isso que seu pai te disse?
Paris: Sim.
Pergunta: Então como você pretende lidar com isso?
Paris: Não tem muito como “escapar” dos haters… a única forma é ignorar. Não deixar isso te afetar.
Pergunta: O que você quer que o mundo saiba sobre seu pai agora?
Paris: Que ele era uma pessoa incrível, simples, com uma alma velha. Ele era incrível.
Pergunta: “Alma velha”?
Paris: Sim.
Pergunta: Como era sua relação com ele?
Paris: Ele era meu melhor amigo. A gente meio que era "os brincalhões". Ele me ensinava várias pegadinhas e, quando a gente recebia visitas — família, primos, amigos — a gente sempre ficava aprontando. Era divertido. Na Irlanda tinha mais liberdade, tinha muito espaço, então a gente corria por todo lado. Tinha uma cachorra chamada Rosie, uma border collie. Ela era tudo. Quando chovia, ela ficava na porta esperando, e a gente deixava ela entrar. Aí meu pai ficava bravo porque a gente acabava estragando as toalhas secando ela. Ele descia e via o cachorro no sofá perto da lareira e falava: “o que o cachorro tá fazendo aqui?” Ele ficava muito bravo… ele amava animais, mas não gostava que eles sujassem a casa.
Pergunta: Por quê? Ele era obcecado por limpeza?
Paris: Sim. Ele era de Virgem… então tipo… a cama dele sempre estava perfeita. Mas ao mesmo tempo tinha coisas espalhadas, DVDs, tudo meio bagunçado… só a cama e o lugar onde ele dormia eram impecáveis. Quando a gente ficou em Bel Air por um tempo, ele foi no banheiro depois de arrumar a cama. Eu peguei o travesseiro só pra zoar e virei ele pra baixo. Ele saiu, arrumou de novo. Quando ele virou as costas eu virei outra vez. Ele olhou pra mim, olhou pro travesseiro, arrumou e falou: “não se atreva a mexer nisso”. Ele sabia que eu tava zoando. A gente adorava fazer isso com ele e ele também fazia com a gente.
Irlanda, uma vida mais normal e This Is It toque para abrir
Pergunta: Quando vocês foram pra Irlanda e tudo mais… muita gente nem sabia que ele estava lá, né?
Paris: É, muita gente não sabia. A gente ficava num lugar mais isolado, mas tinha bastante terra lá.
Pergunta: Deve ter sido muito divertido pra vocês.
Paris: Foi muito divertido. Tinha uns cogumelos tipo “arco-íris”… é difícil explicar… você pisava neles e eles mudavam de cor.
Pergunta: Isso deve ter sido bem diferente para ele.
Paris: Sim. Foi legal. Ele meio que conseguiu dar uma pausa de ser ele mesmo. Ele ficava em casa, de boa.
Pergunta: Como isso foi pra ele?
Paris: Acho que foi muito bom pra ele. Ele dormia bem mais. Só descansava e ficava mais tranquilo.
Pergunta: Só uma vida normal, né? Você acha que esse foi um dos momentos mais felizes pra ele?
Paris: Sim. Ele sempre quis ter um gostinho de vida normal. Então na Irlanda era mais fácil pra ele.
Pergunta: Vou te perguntar sobre This Is It. Como ele anunciou que ia voltar pros EUA e trabalhar no show?
Paris: Ele só falou pra gente. A gente morou em Las Vegas por bastante tempo e depois fomos pra Los Angeles… a gente ia e voltava de carro com frequência. Ele não gostava muito de LA, mas a gente ia bastante por causa do trabalho. Depois ele disse tipo: “ok, a gente vai ter que se mudar pra LA”. E a gente ficou tipo “não!”, porque a gente amava Las Vegas. Mas a gente acabou se mudando. Eu fiz meu aniversário de 11 anos lá, e depois ele falou que ia fazer a última turnê dele. A gente ficou muito animado porque ele disse que a gente ia morar em Londres por alguns meses no verão. Então a gente ficou bem feliz.
Pergunta: Mudar toda hora… você gostava disso?
Paris: Era divertido. Tipo, a gente reclamava “ah, vamos ter que mudar de novo”, mas conhecer vários lugares era incrível.
Pergunta: Ele tentava ensinar vocês sobre culturas?
Paris: Sim. A gente tinha professora em casa e sempre aprendia coisas diferentes. Quando a gente morava na Irlanda, a gente estudava mitos tipo banshees e leprechauns. No Japão, a gente aprendia sobre dragões chineses e dragões japoneses, esse tipo de coisa.
Pergunta: O que é banshee?
Paris: Eu acho que é tipo um espírito que grita… e dizem que se você ouvir esse grito, significa que você vai morrer e ela vai vir atrás de você.
Pergunta: Isso parece assustador. Então vocês estavam animados para This Is It?
Paris: Sim, tava todo mundo animado. Ele disse que às vezes a gente ia poder ficar na plateia e assistir ele se apresentar, então a gente ficou muito empolgado. E nos ensaios de This Is It, muitas das roupas que ele usava… tinha uma camisa vermelha que ele usava. Eu que escolhia a maioria das roupas dele e montava os looks pra ele. A gente foi uma ou duas vezes ver nos ensaios. E eu lembro que o Blanket ia com ele o tempo todo… a gente ficava tipo: “nossa, ele é tão sortudo”.
(...)
A gente estudava em casa numa sala e o quarto dele era logo em cima. Então quando ele estava dançando, ele batia forte no chão e a poeira caía do teto. A gente só ouvia o barulho de passos fortes, e a professora chegava e perguntava: “o que é isso?” e eu respondia: “ah, é só nosso pai dançando”.
Legado, mídia e proteção da família toque para abrir
Pergunta: Você pensa no legado do Michael e tudo o que ele fez e sente que precisa dar continuidade a isso?
Paris: Sim, eu realmente quero seguir os passos dele e continuar essa ideia de “salvar o mundo”.
Pergunta: Você sente que são grandes expectativas pra cumprir?
Paris: Sim.
Pergunta: Qual você acha que foi o maior feito do seu pai?
Paris: Eu não sei… não tenho uma resposta pra isso.
Pergunta: Ele chegou a te explicar sobre o perigo de falar com a mídia e te orientar a ter cuidado com o que você diz?
Paris: Sim.
Pergunta: Tem algo específico que você queira compartilhar?
Paris: Ele dizia pra sempre tomar cuidado com o que você fala pra mídia e com o que você coloca pra fora, porque eles sempre vão tentar usar isso contra você, sempre vão tentar te derrubar e prejudicar sua reputação o máximo possível.
Pergunta: Então você acha que ele estava certo?
Paris: Com certeza.
Pergunta: Então quando você vê coisas negativas que são escritas sobre ele, o que você quer dizer pra essas pessoas?
Paris: O que você quer dizer?
Pergunta: Tipo qualquer coisa negativa que escrevem sobre seu pai ou pessoas que ainda falam coisas sobre ele…
Paris: Bom, a maioria das coisas que as pessoas falam não me afeta muito. E eu espero que meu irmão mais novo nunca leia esse tipo de coisa, porque ele é muito sensível. E eu realmente não quero isso, porque ele fica muito… a gente fica assim também. A gente fica bem defensivo quando é sobre ele. Se acontece alguma coisa, a gente já levanta na hora, começa a falar, tipo “não, isso não!”… a gente fica bem defensivo. E eu espero mesmo que ele nunca leia esse tipo de coisa.
Pergunta: Mas se ele ler, o que você vai dizer pra ele?
Paris: Eu provavelmente… se ele ler isso online, eu ia pegar o computador dele. E falar tipo: “para de olhar isso”.
Pergunta: O Blanket é muito novo e deve lembrar menos do que você lembra.
Paris: É.
Pergunta: Então como você pretende manter viva a memória do seu pai?
Paris: Provavelmente com muitos vídeos. A gente tem alguns vídeos antigos, de cartões de memória das câmeras dele. Ele amava fotografia, então ele sempre filmava o Blanket, eu e o Prince.
Pergunta: Você sabe qual era a mensagem dele pro mundo?
Paris: Que as pessoas precisam parar de se odiar e começar a amar mais. Amar todo mundo. Parar com crime… esse mundo é muito corrompido… eu perdi o raciocínio… Mas ele queria salvar crianças também. Eu lembro dele falando que existe Dia dos Pais, Dia das Mães, mas não existe Dia das Crianças em muitos lugares… e que as pessoas precisavam amar mais, compartilhar mais amor.
Pergunta: Todo mundo com quem eu falei disse coisas incríveis sobre ele. Claramente ele era uma pessoa incrível, mas ainda assim havia muita negatividade. Por que você acha que isso acontecia?
Paris: Eu acho que essa negatividade vem de inveja. Ele era muito talentoso e muito bondoso, e algumas pessoas simplesmente sentem necessidade de odiar.
Pergunta: Você acha que ele poderia ter sido mais duro pra evitar isso?
Paris: Sim… mas ele era muito parecido com a minha avó nesse sentido. Meu avô era o mais duro, mais protetor… e minha avó é uma pessoa muito doce, incrível em tudo. E ele era muito assim também, muito bondoso, então tinha dificuldade de dizer não.
Pergunta: Você acha que se aproveitaram dele?
Paris: Sim, muita gente se aproveitou dele. Mas ele nunca mudou por causa disso.
A maior lição, manter o legado vivo e as saudades toque para abrir
Pergunta: Qual você acha que é a maior lição que você vai levar pra sempre que seu pai te ensinou?
Paris: Permanecer unidos. Ele sempre dizia pra gente que, se alguma coisa acontecesse com ele, a gente tinha que ficar junto, cuidar um do outro, não importa o que acontecesse… aguentar firme e seguir em frente.
Pergunta: Isso é bem pesado…
Paris: É.
Pergunta: Então como você quer lembrar do seu pai daqui pra frente, como parte do legado dele?
Paris: Eu nunca vou esquecer ele, nunca. Eu acho que a melhor forma de manter o legado dele vivo é seguir os passos dele e tentar ajudar, "curar o mundo", parar a poluição e coisas assim.
Pergunta: O que você mais vai sentir falta?
Paris: Eu sinto falta do humor dele… da personalidade dele.
Pergunta: Você consegue descrever isso?
Paris: Eu tô ficando emocionada…
Pergunta: Você precisa de um minuto?
Paris: Agora eu tô bem… tô bem.
Pergunta: Eu entendo… de verdade. Eu sei que ele era seu pai.

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